Por BernardoPena.
Esses dias percebi quantos posts tiveram como pano de fundo a nostalgia. Decidi então escrever alguma coisa sobre isso, afinal de contas, recordar é viver.
Infelizmente, como diria o poeta, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.
Tudo passa.
Sábado passado bati o carro. De novo.
Me lembrei enquanto estava na delegacia, como eu era mais cuidadoso com meu uninho. Primeiro carro que tive e que só Deus sabe o quanto foi difícil de pagar todas aquelas prestações que de tantas, pareciam um catálogo telefônico.
Quando cheguei na delegacia para fazer o B.O., os policias de plantão estavam escutando DIRE STRAITS. Claro que fiquei surpreso. Nunca iria esperar chegar em uma delegacia de polícia e me deparar com um bando de homens curtindo o bom e velho rock’n'roll. Será que eles também estavam sendo nostálgicos? Será que aquela música lhes traziam lembranças? Acho que sim. O novo rock é puramente comercial, não tem mais aquele apelo, aquela vibração como o rock das antigas tinha.
Por falar em DIRE STRAITS, a música “Money for Nothing” começa com “ I Want My MTV”. A MTV era A sensação. Não tive o prazer de assistir ao canal gringo no começo. Acho que foram poucos os privilegiados. Mas assim que o canal veio para o Brasil, não deu outra, foi um sucesso total.
Era um canal INTEIRAMENTE voltado para a música. Quem gostava de música assistia a MTV.
Tinha o disk MTV, onde de segunda a sexta-feira as pessoas ligavam pra votar nos clipes que eram apresentados em um TOP TEN. Nos finais de semana o disk era apresentado em um top vinte, sempre comandado pela graciosa Sabrina Parlatore. Tenho lembrança de quase toda a grade de programação da MTV. Tinha o teleguiado, onde as pessoas ligavam para participar do programa ao vivo, escolher um clipe e trocar uma idéia com o Cazé. Tinha o Massari, ilustre da careca lustrada, que apresentava o Ponto Zero, que era estréia de novos clipes na MTV e também o Lado B.
Os meus prediletos eram o FÚRIA MTV, programa que só tocava rock pesado. Era ótimo, ainda mais porque eu estava na crise da adolescência e tinha decidido virar um metaleiro. O outro programa era o ALTO E BOM SOM, no qual exibia shows e festivais (alguns memoráveis) com as mais diferentes bandas. Isso, sem contar com os Acústicos MTV. Quem nunca ouviu o acústico do Nirvana, Pearl Jam, Kiss e Eric Clapton? A MTV naquela época cobria festivais independentes como o Abril Pro Rock, festival que projetou Nação Zumbi comandada por Chico Cience.
Tudo na MTV tinha a música envolvida. Eram programas formatados para isso. Beavis and Butt-Head tinha o momento sofá, em que os dois idiotas se sentavam, discutiam e até brigavam vendo os clipes da MTV. Tinha o MTV AL DENTE, no qual mostrava tarde da noite os clipes mais quentes e sensuais, apresentados pelas mais belas modelos.
Os programas daquele canal tinham o intuito de apresentar o trabalho das bandas através dos clipes feitos por elas. Foi nessa época que surgiram muitos clipes clássicos. Quem não se lembra das caixinhas de leite do “COFEE AND TV” do Blur? “ANOTHER BRICK IN THE WALL”? “LOVE IT LOUD” do Kiss? Tinham os clipes psicodélicos também como “SMACK MY BITCH UP” do Prodigy. Uma gama de clipes para todos os gostos!
No final dos anos 90 a decadência se instalou na MTV. O canal foi derrotado pelo poder de outras emissoras que levaram seus apresentadores embora. Ícones como Cuca, Zeca Camargo, Chris Couto, Chris Nikclas, Sabrina Parlatore, Astrid Fontenelle ( apresentava o Cozinha MTV, programa de debates, talvez o único da época que não tinha clipe, mas sempre tinha um músico convidado para integrar a mesa), Cazé (foi pra Globo, mas depois voltou), Didi Wagner e, mais recentemente, o último dos moicanos o célebre Edgar Picolli, trocaram a MTV por outros canais. Tinha/tem também o João Gordo que apresentava o programa Casa de Praia, que era gravado em alguma cidade do nosso litoral com entrevistas e performances acústicas de bandas nacionais, rolando de vez em quando umas participações especiais, entrevistas e competições. Apresentou depois o game Garganta e Torcicolo e hoje apresenta um outro programa sonolento de entrevistas.
Ainda nessa época, a MTV mudou muito. Foram varias as trocas de logomarca, apresentadores e programação. Queriam atingir um outro público. Cortaram até as vinhetas do Garoto Enxaqueca.
Atualmente, os clipes são exibidos na MTV pela madrugada afora, ou então em curtos trechos durante a programação. Os clipes foram praticamente banidos. Você liga na MTV e dá de cara com Adnet, duas patricinhas alienadas falando sobre sexo, uma mulher tatuada falando sobre qualquer coisa em um programa sem pé nem cabeça no final da tarde, uma dupla de semi-comediantes falando com algum convidado do meio esportivo nos finais de semana… Fora os programas chatos do Marcos Mion. Sem mencionar também a lixarada que é importada da MTV européia e norte americana (quem assistiu ONE SHOT OF LOVE ou PIMP MY RIDE?). Só falta agora a MTV lançar um programa estilo Ana Maria Braga. Alguém sugere uma apresentadora?
Voltando ao Dire Straits, acho que eles deveriam se reinventar. Talvez criar uma outra canção chamada “ MONEY IS EVERYTHING”, e que começaria com “ I WANT MY MTV BACK!” e seria a estrofe principal da musica, quase um refrão.
Boa foi a época que eu chegava da escola e assistia a MTV até a hora de dormir. Não tinha prestações para pagar, não batia o carro, me dava bem com as mulheres, não tinha que aturar a chatice da faculdade e nem um emprego um enfadonho. Meus joelhos e a coluna não doíam depois da balada e meus amigos, eram amigos de verdade!
Ai aquele tempo….