Turn Turn Turn!

07/11/2009

por Bernardo Pena

Turn! Turn! Turn!

The Byrds

Composição: Peter Seeger

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to be born, a time to die.
A time to plant, a time to reap.
A time to kill, a time to heal.
A time to laugh, a time to weep.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to build up, a time to break down.
A time to dance, a time to mourn.
A time to cast away stones.
A time to gather stones together.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time of love, a time of hate.
A time of war, a time of peace.
A time you may embrace.
A time to refrain from embracing.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to gain, a time to lose.
A time to rend, a time to sow.
A time for love, a time for hate.
A time for peace, I swear it’s not too late.

 

Acho que minha época de blog acabou. Depois de escutar e ouvir a música acima com muita atenção descobri que minha temporada de blog chegou ao seu fim. Acredito que agora seja uma época mais de ler do que escrever.  Muitos dias quando ia dormir ficava me torturando, pois não tinha  nenhuma idéia para postar neste blog, nada me ocorria. Com uma vida cada vez mais agitada, estava ficando angustiado de participar de um blog mas não poder contribuir para que ele crescesse.

Gostaria de registrar meus sinceros agradescimentos aos amigos Mariah, Walena e J.C.

It’s time to move on. DO THE WALK OF LIFE.

Um grande abraço a todos!


Uma semana aversa (ou não)

04/10/2009
por Mariah Aversa

Como é notório, não tenho dado conta de manter este espaço da forma que desejaria. Assim sendo, resolvi fazer um breve relato desta minha conturbada (?) semana.

*

Se você não está nem um pouco interessado nisso, para não perder a viagem, ouça esta música, cuja letra estava inicialmente vinculada a um  post que idealizei, mas não tive tempo de desenvolver.

*

Se você quiser continuar lendo não reclame. Te dei uma opção! Vamos lá.

*

Segunda-feira:

Segunda-feira é sempre uma bosta. Pulemos.

Terça-feira:

Fui convidada, via Twitter, para ser madrinha de um casamento que talvez ocorra ano que vem.

Como a noiva é uma pessoa um tanto bipolar e precipitada, tive que ir atrás dela na hora do intervalo da faculdade para tirar a história a limpo. Se não para mais nada, serviu para eu matar as saudades de conversar bobagens com três colegas queridas e ouvir de outros dois colegas piadas pelo simples fato de eu estar usando blusa rosa, saia e sandálias e por causa de uma história que envolve um cara trancado num porta-malas e que sempre vem à tona nestes momentos. Ah, a faculdade!

Quarta (chega de “feira”):

Na aula de jornalismo investigativo descobrimos que jogar no Google o nome de alguém que você acabou de conhecer ou da empresa na qual você quer trabalhar é pura ingenuidade. Segundo o material distribuído pelo professor, o buscador mais poderoso da internet cobre apenas cerca de 30% da rede. Métodos muito mais invasivos estão à disposição! (Espere: talvez não adiante você buscá-los no Google).

Quinta:

Após um dia pavoroso no trabalho, passei em casa, fui para a faculdade e ao voltar fui assistir House. O meu maior desejo naquele momento era que eu pudesse dizer a alguns de meus clientes tudo o que o médico mais cool e rabugento ever diz a seus pacientes.

Sexta:

Comecei o dia me engajando na luta contra a rinite. Depois de ficar bem mais pobre investindo em remédios e na guerra contra os ácaros pretendo me tornar uma pessoa completamente anti-alérgica!

E depois do péssimo dia de ontem, resolvi aderir à greve. Não pelo motivo certo, que seria acreditar que isso fará diferença no meu bolso e na minha profissão; mas pelo motivo errado, de acreditar que me afastar daquela confusão que se instalou na agência desde o início da paralisação fará bem à integridade física dos meus clientes (e, conseqüentemente, à minha também) e impedirá que eu seja demitida por justa causa.

Para fechar (mesmo) com chave de ouro (não) consegui trancar pelo lado de fora a chave do portão da garagem (que fica junto da do carro), dentro do carro, que, por sua vez, estava dentro da garagem. Entendeu? Não? Para mim também foi difícil de entender. Lê mais umas duas vezes e faz um gráfico que começa a fazer sentido. Quer dizer, sentido não vai fazer nunca, mas… Você entendeu, né?

Sábado:

Sábado começou como um reflexo da sexta. Arrumei umas coisas no meu quarto para que eu tenha mais chance de sobrevivência que os ácaros. E com a grande colaboração de duas vizinhas (o clipe e o grampo não funcionaram) consegui recuperar as chaves perdidas. Sim, tirei uma cópia da chave da garagem – sou lerda às vezes, não sou burra.

De noite fui ver A Onda. Muito bom o filme! O que um bando de adolescentes com a auto-estima baixa e desesperados por uma sensação de pertencimento não são capazes?

Queria ter dado uma passsada na Savassi para ver como está indo o Outro Rock, mas acabou não rolando…

*

É isso!

Caso você entre neste blog e algumas moscas saiam voando do seu monitor e você queira saber o que eu estou fazendo, dá uma olhada no Twitter. Para 140 caracteres eu ainda tenho tido tempo!

*

O quê? Faltou um dia? Domingo? Aaaaah! É que domingo não existe (talvez no Acre). Na verdade, trata-se apenas de uma ilusão coletiva envolvendo imagens e sons bizarros emitidos por uma caixa com luzes.

Tá! Mentira! Tem True Blood, aliás, último capítulo da segunda temporada nesta semana.


Barack Obama, a espontaneidade e meu futuro cabelo roxo.

20/09/2009
por Mariah Aversa

No último domingo, um episódio do mundo pop virou um dos assuntos mais comentados pela mídia mundial. Durante a premiação da cantora Taylor Swift pelo melhor clipe feminino, no VMA, o rapper Kanye West subiu ao palco, tomou o microfone das mãos da moça e bradou que o clipe de Beyoncé era o melhor. O fato foi tão comentado, que virou a conversa “quebra-gelo” de antes da entrevista que Barack Obama iria dar à emissora de TV norte-americana CNBC. E isso acabou virando uma notícia à parte.

Durante a conversa “em off”, Obama informalmente repudiou a atitude de Kanye, chamando-o de jackass. O problema é que mesmo não tendo começado oficialmente a entrevista, câmeras, inclusive de outras emissoras presentes, estavam ligadas e gravaram o comentário do presidente. Óbvio que esta gravação acabou na internet. Depois de ter ido para o Twitter de uma jornalista da ABC que presenciou a entrevista, foi orgulhosamente publicado no site TMZ. Junto do comentário sobre o acontecido e do áudio do presidente proferindo o palavrão, foi postada uma enquete: “Obama on Kanye…” “Way to go!” or “Inappropriate”? O curioso é que enquanto a imprensa reportava horrorizada o comentário do presidente norte-americano, os leitores do site, até agora, julgam, em sua imensa maioria, que Obama “mandou bem”!

Ok. Leitores do TMZ provavelmente querem é ver o circo pegar fogo! Mas ao mesmo tempo, acho que as coisas estão mudando. A internet aproximou as pessoas incrivelmente. Os famosos, que em outras épocas pareciam tão distantes, podem estar ao alcance do seu Twitter. Uma pessoa qualquer pode se tornar uma celebridade e ter seus 15 minutos de fama, mas às vezes ficam bem mais tempo na mídia (para o bem ou – geralmente – para o mal). O povo está ficando mais ciente de que no fim das contas somos todos humanos.

E venhamos e convenhamos: humanos xingam! Você aí: Já falou quantos palavrões ao longo de sua vida? Suponhamos que amanhã você acorde e, como num daqueles filmes de sessão da tarde, tenha trocado de vida com o presidente. Você vai parar de falar “palavras feias”?

Enfim, as coisas estão mudando e se tem um cara que deve estar tendo trabalho para reformular seus métodos de atuação, é o assessor de comunicação. Se uma de suas funções é treinar seu cliente para agir diante do público e da imprensa, este tem sido um trabalho cada vez mais complexo. A quase onipresença das câmeras e a internet – espalhando informações e boatos para um grupo cada vez maior e mais heterogêneo de pessoas – são as culpadas.

Outro dia, alguém, em algum lugar (realmente não me lembro onde li) escreveu que, num mundo ideal, advogados não seriam necessários. E neste mundo, este tipo de função do assessor também não precisaria existir, pois as pessoas não fariam a primeira interpretação deturpada que lhes viesse à cabeça quando ouvissem uma fala de alguém. As pessoas se entenderiam e acreditariam (poderiam acreditar) na boa intenção dos outros.

E é aí que a gente se engana neste nosso mundo como ele é. O cara estuda as pessoas e as palavras e os modos de vestir e agir e ensina para o seu cliente como fazer para que os outros acreditem nele. Mas o fato de o sujeito APARENTAR ser sincero e honesto, não significa que ele SEJA. E nisso, as pessoas compram idéias estúpidas, porém apresentáveis e criticam momentos de espontaneidade que não significam nada.

Mas, como já disse, realmente acredito que as coisas estão mudando. Em ritmo menor que o desejado, mas estão. Tomara que chegue o dia em que uma cliente não use como argumento para o meu suposto mau atendimento o modo como eu costumo me sentar. Nesse dia, mesmo que eu tenha que me manter na minha função atual, poderei pintar meu cabelo de roxo sem que ninguém passe a duvidar do meu caráter por isso.


Correndo

12/09/2009
por Mariah Aversa

OK. Sabia que isso ia acontecer desde o começo. A idéia do blog surgiu durante as férias letivas. Agora as aulas voltaram e estou com mil coisas pra fazer. Percebe?

Queria manter a freqüência de pelo menos um post por semana. Como nessa semana está difícil, me aproveito da criatividade de outros. Uma música e o trecho de um texto. Por que escolhi esses dois? Porque, entre outras coisas, são sobre a correria dessa tal vida pós-moderna!

*

Móveis Coloniais de Acaju – Perca Peso

(clique aqui com o botão direito do mouse e vá em “salvar como” para BAIXAR a música)

(se preferir, clique aqui e vá para o site da banda, onde a faixa pode ser ouvida em STREAMING)

(aqui você confere a LETRA da música)

*

É PRECISO SABER GOOGLAR (por Nina Speranza)

Eu já tive vergonha de perguntar quem é tal cantor ou admitir que nunca tinha ouvido falar numa determinada atriz. Hoje acho que (quase) qualquer ignorância é perdoável. Como já falei no post A culpa é da internet, a gente tem informação demais, o tempo todo, e tem que aprender a selecionar. Não dá pra saber todas as bandas, todos os filmes, todos os livros, conhecer todos os períodos da história e ainda continuar vivendo. Tem que aprender a editar conforme o nosso gosto ou necessidade.

Aliás, esses tempos pensei que pra ser uma pessoa melhor eu deveria passar fio dental todos os dias. E também fazer ginástica diariamente. Com alongamento antes, claro! Devia comer melhor, preparar minhas refeições com salada bem temperada e verduras escolhidas na feira. Não queria deixar de ler, livros e pelo menos um jornal diário, mas queria ir ao cinema pelo menos uma vez por semana. Trabalhar feliz e dar o melhor de mim é necessário, assim como curtir o namorado. Um tempinho pros pais e pros amigos é imprescindível. E pra brincar com meus gatinhos também. Opa! Esqueci de pagar uma conta! Ah, deixa, agora preciso dormir as 8 horas recomendadas pelo médico…

Peraí… a gente tem mesmo que fazer tudo isso em vinte e quatro horas? Então dá pra entender que ninguém tenha que saber de tudo, não é mesmo? Nunca ouviu falar em Guernica, não sabe citar uma música do The Clash? Ok, mas se precisar, você sabe onde buscar as respostas? Então tá valendo!

(a publicação original deste texto, na íntegra, você pode ler aqui)

*


Conexão banda larga 2

07/09/2009
por Mariah Aversa

Seguindo a sessão “recordar é viver” deste nobre espaço, retorno a este post que o JC escreveu aqui (agora ele escreve no IR). O texto me lembrou uma idéia que desenvolvi para amenizar essa nostalgia em relação às pessoas que passam por nossas vidas. A idéia é meio boba, mas tem até um certo raciocínio lógico por trás (o que sempre me ajudou a simplificar e superar coisas desagradáveis).

Minhas primeiras “amizades” (as aspas são porque acho este conceito complicado, mas não vou entrar nesse mérito) que recordo são de quando eu tinha uns três anos. Duas vizinhas e minha babá (nunca gostei desta palavra, mas creio que seja o termo técnico correto). Hoje estou com 24 anos, ou seja, até onde minha memória vai, são 21 anos de vizinhos, parentes, pessoas que trabalharam para mim, pessoas para quem trabalhei, pessoas com quem trabalhei, colegas de três colégios e duas faculdades, etc.

Vamos acelerar o raciocínio para tentar não deixá-lo incompreensível. Supondo que a cada ano eu tenha acumulado dois novos contatos (uma média bem por baixo) e os mantido, após 21 anos eu teria ao menos 42 contatos. Se eu dedicasse apenas uma hora da minha semana para manter cada um deles, eu precisaria de 42 horas semanais para isso. Fácil! É só eu avisar ao meu chefe que agora só trabalho aos fins de semana, pois as 40 horas de labuta semanal serão dedicadas a essa minha hipotética e intensa vida social. Ainda bem que aos 87 anos já vou estar aposentada e provavelmente não vou conseguir dormir mais (todo velhinho reclama disso!), porque aí posso dedicar as minhas 168 horas semanais aos 168 “amigos” que terei nessa idade.

Viu? Além do fato de que os interesses que te mantinham próximos aos seus “amigos” de infância provavelmente inexistam nos dias atuais, é matematicamente impossível acumular todas as pessoas que lhe foram queridas. O esquema é se conformar e aproveitar toda essa confusão de três formas diferentes: sentindo a nostalgia em relação aos bons tempos que não voltam mais, aproveitando ao máximo o presente e mantendo as expectativas em relação ao futuro.

E a conexão final disso tudo é um trecho do meu livro favorito – A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera.

*

“O tempo humano não gira em círculos, mas avança em linha reta. Por isso o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo da repetição.”

*


IF ONLY I COULD TURN BACK TIME…

03/09/2009
Por BernardoPena.

Esses dias percebi quantos posts tiveram como pano de fundo a nostalgia. Decidi então escrever alguma coisa sobre isso, afinal de contas, recordar é viver.

Infelizmente, como diria o poeta, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.

Tudo passa.

Sábado passado bati o carro. De novo.

Me lembrei enquanto estava na delegacia, como eu era mais cuidadoso com meu uninho. Primeiro carro que tive e que só Deus sabe o quanto foi difícil de pagar todas aquelas prestações que de tantas, pareciam um catálogo telefônico.

Quando cheguei na delegacia para fazer o B.O., os policias de plantão estavam escutando DIRE STRAITS. Claro que fiquei surpreso. Nunca iria esperar chegar em uma delegacia de polícia e me deparar com um bando de homens curtindo o bom e velho rock’n'roll. Será que eles também estavam sendo nostálgicos? Será que aquela música lhes traziam lembranças? Acho que sim. O novo rock é puramente comercial, não tem mais aquele apelo, aquela vibração como o rock das antigas tinha.

Por falar em DIRE STRAITS, a música “Money for Nothing” começa com “ I Want My MTV”. A MTV era A sensação. Não tive o prazer de assistir ao canal gringo no começo. Acho que foram poucos os privilegiados. Mas assim que o canal veio para o Brasil, não deu outra, foi um sucesso total.

Era um canal INTEIRAMENTE voltado para a música. Quem gostava de música assistia a MTV.

Tinha o disk MTV, onde de segunda a sexta-feira as pessoas ligavam pra votar nos clipes que eram apresentados em um TOP TEN. Nos finais de semana o disk era apresentado em um top vinte, sempre comandado pela graciosa Sabrina Parlatore. Tenho lembrança de quase toda a grade de programação da MTV. Tinha o teleguiado, onde as pessoas ligavam para participar do programa ao vivo, escolher um clipe e trocar uma idéia com o Cazé.  Tinha o Massari,  ilustre da careca lustrada, que apresentava  o Ponto Zero,  que era estréia de novos clipes na MTV e também o Lado B.

Os meus prediletos eram o FÚRIA MTV, programa que só tocava rock pesado. Era ótimo, ainda mais porque eu estava na crise da adolescência e tinha decidido virar um metaleiro. O outro programa era o ALTO E BOM SOM, no qual exibia shows e festivais (alguns memoráveis) com as mais diferentes bandas. Isso, sem contar com os  Acústicos MTV. Quem nunca ouviu o acústico do Nirvana, Pearl Jam, Kiss e Eric Clapton? A MTV naquela época cobria festivais independentes como o Abril Pro Rock, festival que projetou Nação Zumbi comandada por Chico Cience.

Tudo na MTV tinha a música envolvida. Eram programas formatados para isso. Beavis and Butt-Head tinha o momento sofá, em que os dois idiotas se sentavam, discutiam e até brigavam vendo os clipes da MTV. Tinha o MTV AL DENTE, no qual mostrava tarde da noite os clipes mais quentes e sensuais, apresentados pelas mais belas modelos.

Os programas daquele canal tinham o intuito de apresentar o trabalho das bandas através dos clipes feitos por elas. Foi nessa época que surgiram muitos clipes clássicos. Quem não se lembra das caixinhas de leite do “COFEE AND TV” do Blur? “ANOTHER BRICK IN THE WALL”? “LOVE IT LOUD” do Kiss? Tinham  os clipes psicodélicos também como “SMACK MY BITCH UP” do Prodigy. Uma gama de clipes para todos os gostos!

No final dos anos 90 a decadência se instalou na MTV. O canal foi derrotado pelo poder de outras emissoras que levaram seus apresentadores embora. Ícones como Cuca, Zeca Camargo, Chris Couto, Chris Nikclas, Sabrina Parlatore, Astrid Fontenelle ( apresentava o Cozinha MTV, programa de debates, talvez o único da época que não tinha clipe, mas sempre tinha   um músico convidado para integrar a mesa), Cazé (foi pra Globo, mas depois voltou), Didi Wagner e, mais recentemente,  o último dos moicanos o célebre Edgar Picolli, trocaram a MTV por outros canais. Tinha/tem também o João Gordo que apresentava o programa  Casa de Praia, que era gravado em alguma cidade do nosso  litoral com entrevistas e performances acústicas de bandas nacionais, rolando de vez em quando umas participações especiais, entrevistas e competições. Apresentou depois o game Garganta e Torcicolo  e hoje apresenta um outro programa sonolento de entrevistas.

Ainda nessa época, a MTV mudou muito. Foram varias as trocas de logomarca, apresentadores e programação. Queriam atingir um outro público. Cortaram até as vinhetas do Garoto Enxaqueca.

Atualmente, os clipes são exibidos na MTV pela madrugada afora, ou então em curtos trechos durante a programação. Os clipes foram praticamente banidos. Você liga na MTV e dá de cara com Adnet, duas patricinhas alienadas falando sobre sexo, uma mulher tatuada falando sobre qualquer coisa  em um programa sem pé nem cabeça no final da tarde,  uma dupla de semi-comediantes falando com algum convidado do meio esportivo nos finais de semana… Fora os programas chatos do Marcos Mion.  Sem mencionar também a lixarada que é importada da MTV européia e norte americana (quem assistiu ONE SHOT OF LOVE ou PIMP MY RIDE?). Só falta agora a MTV lançar um programa estilo Ana Maria Braga. Alguém sugere uma apresentadora?

Voltando ao Dire Straits, acho que eles  deveriam se reinventar. Talvez  criar uma outra canção chamada “ MONEY IS EVERYTHING”,  e que começaria com “ I WANT MY MTV BACK!” e seria  a estrofe principal da musica, quase um refrão.

Boa foi a época que eu chegava da escola e assistia a MTV até a hora de dormir. Não tinha prestações para pagar, não batia o carro, me dava bem com as mulheres, não tinha que aturar a chatice da faculdade  e nem um emprego um enfadonho. Meus joelhos e a coluna não doíam depois da balada e meus amigos, eram amigos de verdade!

Ai aquele tempo….


Os Paralamas ainda são um sucesso

29/08/2009
por Mariah Aversa

Este post é para atender a um pedido do João Barone feito ontem, durante o show d’Os Paralamas do Sucesso, no Chevrolet Hall. Ele mandou avisar que quem não estava presente perdeu um super show! E como o cara é um dos bateristas mais fodas que tem por aí, passo o recado e confirmo: foi muito bom mesmo!

Apesar de ser o lançamento do novo álbum, Brasil Afora, eles tocaram poucas músicas recentes (que animaram umas poucas pessoas que até sabiam as letras) e investiram mesmo nos bons e velhos hits. A banda sabia o que os fãs, que se espalhavam ocupando (com boa vontade) um terço da arena, queriam.

Pois é… Estava vazio… O que no início foi meio constrangedor, especialmente enquanto os ocupantes das cadeiras (numa área “vip” na frente do palco) insistiam em ocupar suas cadeiras. Mas depois os caras foram ficando mais à vontade lá em cima, as pessoas começaram a levantar e aí foi instituído um clima de festa intimista, daquelas nas quais amigos que não se viam há um tempo se reencontram. Era esse o tipo de público que parecia estar lá: fãs – que sempre acompanharam a carreira da banda ou que nasceram na metade da carreira deles, mas fãs – daqueles que não lembram que a banda existe só quando tem uma música tocando a cada três minutos no rádio e que querem ir ao show para prestigiar músicos de competência inquestionável e que em algum momento já fizeram parte de sua vida.

Talvez falte ao trio, acompanhado por outros três músicos de apoio, um certo frescor difícil de se obter após quase 30 anos compartilhando o mesmo palco. São músicos experientes, que já conhecem os passos de cor e salteado e que, apesar de se mostrarem felizes por estarem tocando e agradando, já tem tudo aquilo estabelecido numa rotina.

Mas não importa! O sorriso de Bi Ribeiro quando todos acompanhavam o ritmo com palmas, a garra de Herbert Vianna tocando o sempre emocionante solo de Lanterna dos Afogados e João Barone dando um show a parte na batera são coisas que valem à pena serem vistas e fazem com que se deseje vida longa aos Paralamas!


Sucesso

22/08/2009
por Mariah Aversa

Na última quinta-feira estreou na Rede Minas, dentro do projeto DOCTV, o documentário Oito ou Oitenta – Alguma Coisa Começou Aqui, sobre a cena artística belorizontina de mais ou menos duas décadas e meia atrás. Achei curioso que quase todos os artistas que deram seu depoimento criticaram os que faziam sucesso e/ou tinham grandes empresas sustentando suas produções. Os que fizeram tais críticas eram artistas independentes na época e julgavam que os demais tinham se “vendido para o sistema”. Mas nos depoimentos finais, sobre o motivo da cena não ter ido adiante, esses mesmos artistas dizem que se talvez estivessem em São Paulo, Rio de Janeiro ou Europa, as coisas poderiam ter sido diferentes, eles poderiam ter tido mais espaço. Ou seja: eles poderiam ter sido mais FAMOSOS! Meio incoerente, não?

Esse preconceito com o sucesso é uma picuinha antiga, mas se você faz um trabalho legal, você quer que as pessoas estejam cientes disto, você quer, talvez (e esses caras queriam), mostrar sua opinião e influenciar as pessoas. Isto é: você quer fazer sucesso.

O buraco do sucesso é mais embaixo e por isso, como em tudo nessa vida, generalizações são estúpidas para tratar o caso. Tudo bem que muitas das coisas que atingem as grandes massas são de extremo mau gosto e chegaram aonde chegaram por caminhos, às vezes, um tanto duvidosos. Está certo que muita coisa bacana por aí não teve espaço porque não seria facilmente digerida pelo grande público. Também concordo que quando uma coisa legal obtém sucesso e chega a públicos não acostumados a este tipo de material, ela pode ser totalmente esvaziada de sentido. Mas tenho que afirmar que muitas coisas que fazem sucesso não foram desvirtuadas pelas mãos sujas do capitalismo e são, sim, de boa qualidade. Enquanto isso, alguns artistas radicais se esforçam tanto para mostrar que não estão produzindo mercadorias facilmente digeríveis para ganhar dinheiro, que acabaram produzindo coisas de gosto pra lá de duvidoso e que têm como fim imediato apenas a defesa desse ideal, o que resulta num círculo vicioso bizarro.

Gostaria de deixar registrada a importância que reconheço ter QUALQUER tipo de manifestação artística, pois mesmo as que não atingem um nível desejável de qualidade são ingredientes que formam a história, o pensamento e o retrato de uma época e servem para enriquecer o repertório de outros artistas. Mais uma coisa que deve ficar clara é que, apesar de suscitadas pelo documentário, minhas críticas não se estendem a todos os artistas que nele apareceram – em momento algum quis criticá-los negativamente, apenas fiz uma reflexão que me veio à cabeça após observar ALGUNS discursos e obras.


Yo-ho, yo-ho, a PIRATE’S LIFE FOR ME

19/08/2009

Secret of Monkey Island - SE

Nostalgia de novo!!!

À medida em que vão envelhecendo, as pessoas vão ficando cada vez mais nostálgicas. Não sou exceção a essa regra, e você provavelmente também não é. E o pior: as empresas sabem se aproveitar MUITO BEM disso e vivem relançando produtos que remetem a sucessos do passado, sabendo que os consumidores de outrora provavelmente irão consumir de novo hoje em dia.

Recentemente, a LucasArts lançou um remake de um dos mais amados-idolatrados-salve salve jogos de computador de todos os tempos: The Secret of Monkey Island, lançado originalmente em 1990.

O jogo narra as aventuras de Guybrush Threepwood, um corajoso e sarcástico jovem que quer se tornar um pirata a qualquer custo. Além de fazer um sucesso estrondoso (entre os parcos usuários de PC da época) e conquistar uma legião de fãs com sua jogabilidade simples, diálogos engraçadíssimos e humor afiado, Monkey Island rendeu três sequências: MI2: LeChuck’s Revenge (1991), The Curse of Monkey Island (1997) e Escape from Monkey Island (2000).

O mais “novo” título da saga, Secret of Monkey Island: Special Edition, foi lançado há poucos meses e não traz nada de novo – é apenas o primeiro jogo com roupa nova.

Trata-se de remake dos mais vagabundos e aproveitadores. Eu esperava um jogo com belos gráficos e recheado de (ótimas) cenas de animação (como em Curse of Monkey Island, de 1997), mas caí do cavalo: os personagens e cenários foram simplesmente redesenhados em alta definição, e nem sequer parecem ter mais frames de animação que aqueles do jogo original – que já tem cerca de vinte anos de idade. Apesar de estarem relativamente bonitos, os gráficos do jogo não surpreendem e estão muito aquém dos padrões atuais, provavelmente sob o velho pretexto de “fidelidade ao original” – ou desleixo e preguiça, mesmo.

A jogabilidade também é praticamente idêntica à do original, sendo que o mouse é utilizado para controlar todas as ações do personagem. Aliás, este é um ponto positivo dos jogos da série: comandar Guybrush Threepwood é tarefa simples e agradável, pois não prescinde de qualquer experiência ou agilidade do jogador. Qualquer boçal que nunca tenha jogado um videogame na vida pode se dar bem neste jogo, desde que saiba movimentar um mouse e tenha alguma inteligência para resolver os enigmas.

A única adição substancial de MISE foi a dublagem, inexistente no jogo de 1990. As vozes são sensacionais (com destaque para Guybrush e Stan, o insuportável vendedor de barcos usados) e dão vida nova aos diálogos, que parecem ainda mais hilários agora que podem ser escutados em vez de apenas lidos.

The Secret of Monkey Island – Special Edition pode parecer picaretagem para alguns, mas é tão engraçado e divertido que acaba valendo uma conferida.

–JC


Flaming Night 10

16/08/2009
por Mariah Aversa

Na décima edição do Flaming Night, festival realizado pela 53HC no Lapa Multshow ontem, o público era fácil de ser classificado: parentes e amigos do pessoal do Radiotape e do Transmissor (bandas que abriam a noite em casa), fãs do Los Hermanos (desesperados para verem o Canastra, que tem na bateria Rodrigo Barba), pessoas da produção  e da imprensa e o resto que, como eu, estava ali para ver o Móveis Coloniais de Acaju.

O Radiotape começou meio tímido e errando um pouco, mas depois os caras relaxaram e, mesmo com sua pegada pop, mostraram mais peso que da outra vez que os vi, abrindo para o Keane, em março, no Chevrolet Hall. Com pinta de bons moços, foram simpáticos e deixaram no ar uma humildade de quem está disposto a evoluir e ganhar mais personalidade e consistência.

O Transmissor foi a única banda que subiu ao palco sem se anunciar, gerando um buxixo pela platéia que se perguntava que banda era aquela. Pode ser que os caras tenham se distraído com a impossibilidade da passagem de som, que os incomodou bastante (isso foi dito no microfone algumas vezes) e atrapalhou o início do show por problemas técnicos que impediam a compreensão das letras. Após umas três músicas o som chegou no ponto e os caras ficaram mais contentes, mostrando versatilidade no rodízio de instrumentos e vocais. A banda empolgou a galera, que cantava algumas músicas, chegando a fazer um coro que os deixou sem conseguir parar de rir. Dados a experimentações e misturas, são ótimos músicos e devem ter despertado o interesse dos que chegaram cedo para ver o Canastra ou o Móveis e não os conheciam.

Apesar de acompanhado por uma banda excelente, Ricardo Koctus se apresentou completamente deslocado do resto do evento. Sem a graça que costuma ter em sua banda principal (Pato Fu), tentou ganhar a simpatia do público comentando o aniversário de 40 anos de Woodstock e a morte de Les Paul. Não funcionou muito bem. O que salvou o show foram alguns covers, como Elvis e Pixies.

Entrando no palco tocando o Hino Nacional, o Canastra veio fazer jus a fama de festeiro dos cariocas. Com músicas repletas de citações – de festa junina à canção italiana – a banda executou uma bem feita mistureba sonora que pôs o povo para dançar. Simpáticos e fazendo piadas sobre futebol, os caras eram puro bom humor, coisa que os fãs histéricos do Los Hermanos me tiraram, fazendo com que eu aproveitasse o show menos do que poderia. Para finalizar, fizeram uma versão bastante peculiar de Back in Black do AC/DC.

Com contornos de mega banda, finalmente entrou em cena o Móveis Coloniais de Acaju. O palco ficou pequeno para aquela trupe que deixava refrões na voz da platéia sem o menor receio. O que mais impressionou foi a energia dos integrantes (principalmente depois de anunciarem que aquele era o segundo show da noite – já tinham se apresentado em Brasília). Fiz uma nota mental para tentar descobrir o que eles tomam antes de entrar no palco e continuei admirando os caras, que além de tudo eram simpáticos e funcionavam super bem juntos. Com um pouco mais de vigor que no disco, tocaram quase todas as músicas do álbum C_mpl_te. Ainda fizeram parte de Glory Box, do Portishead. O controle que eles tinham sobre o público era outro destaque, colocando todos para pular, bater palmas, fazer coro, acender isqueiro… Foram também responsáveis pelo primeiro mosh de um trombonista que eu já vi, o que acabou com o trio de metais no meio de uma roda formada pelo público, para onde o vocalista desceu, mas não ficou, pois era impossível controlar os animados fãs. As acrobacias prosseguiram com o o trombone tocado com os pés e um sax tocado a três. Rodrigo Barba assistia ao show um pouco atrás de mim e, vendo seu rosto sério, eu não deixava de imaginar que ele sentia uma certa nostalgia dos primeiros anos do Los Hermanos. (A comparação entre as duas bandas, motivada não pelo som, mas pela entrega do público, é inevitável.) Uma curiosidade e sinal dos novos tempos é que eles fizeram mais propaganda do download gratuito do CD que da venda no local. O show foi finalizado em um bis com três músicas acompanhado de chuva de papel, sendo que a última canção foi Se essa rua fosse minha (sim, essa mesmo).

Depois das mais de cinco horas de festival, saí de lá exausta, mas feliz e acreditando mais na música nacional.